O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 26, durante reunião do Brics, que o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) não pode excluir o chamado “Sul Global”.
“Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação. Mitigar os riscos e distribuir os benefícios da revolução digital é uma responsabilidade compartilhada”, declarou o presidente.
Lula destacou que o Brasil, que preside o Brics em 2025, apresentará uma proposta de governança para a inteligência artificial nos encontros do bloco. Segundo ele, é fundamental recolocar o Estado no centro do debate sobre a tecnologia:
“Qualquer tentativa de desenvolvimento econômico hoje passa pela inteligência artificial. O interesse público e a soberania digital devem prevalecer sobre a ganância corporativa.”
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Críticas a Trump e defesa do multilateralismo
O presidente brasileiro discursou na primeira sessão do ano com os sherpas (enviados especiais) do Brics, no Itamaraty. Além dos representantes dos 11 países-membros, participaram embaixadores das nações parceiras do bloco.
Sem citar diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, Lula criticou ações do republicano, como a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante seu mandato anterior.
“Sabotar os trabalhos da OMS é um erro com sérias consequências. Fortalecer a arquitetura global de saúde, com a OMS em seu centro, é fundamental para garantir um justo e equitativo acesso a medicamentos e vacinas necessários ao desenvolvimento sustentável de nossos países.”
O presidente também condenou a lógica da força nas relações internacionais:
“O recurso ao unilateralismo solapa a ordem internacional. Quem aposta no caos e na imprevisibilidade se afasta dos compromissos coletivos que a humanidade precisa urgentemente assumir.”
Expansão do Brics e prioridades do Brasil
O Brics hoje inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Durante a cúpula de líderes em julho, no Rio de Janeiro, há expectativa de que países parceiros recebam convite para integrar o bloco, como Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
Entre as prioridades do Brasil na presidência do Brics em 2025, estão:
- Saúde global: fortalecimento da cooperação internacional na área
- Comércio e finanças: expansão dos investimentos entre os membros
- Clima: medidas para combater as mudanças climáticas
- Inteligência artificial: proposta de governança global para a tecnologia
- Reforma da ONU: mudanças no sistema multilateral de paz e segurança
- Desenvolvimento institucional: fortalecimento do bloco
A cúpula do Brics no Rio de Janeiro será um dos eventos diplomáticos mais importantes do ano, consolidando o protagonismo do Brasil na governança global.
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